quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Primeiro entranha-se, nunca se estranha e depois gosta-se!

Por vezes é mesmo necessário sair de onde estamos para descobrirmos certas coisas que só à distância se entendem, para encontrarmos partes de nós que ainda não tínhamos encontrado, por vezes só saindo de perto de tudo o que amamos ou amámos, indo ao encontro de algo que idealizamos, para compreender melhor o que somos ou o que podemos ser. Certo, soa confuso, mas andar a maior parte dos dias sozinho ajuda bastante a este tipo de esclarecimento. Sim, agora que os companheiros de passeio e comidas diferentes, Sara e Micael, se foram embora de volta para o nosso Portugal à beira-mar plantado, volto ao modo sozinho e a ter muito tempo para pensar enquanto procuro por futuro.
Mas pormenores fantásticos da minha mente à parte, sempre irão haver coisas que nos levam de volta à nossa terra, porque aqui é um bocadinho diferente e um gajo leva tempo a habituar-se.
Não há quase caixotes do lixo na cidade, apesar de não ser novidade, torna-se completamente surreal ter de andar com lixo nas mãos de um lado para o outro até encontrar um caixote do lixo, o qual se tivermos sorte, está a ser vigiado por uma das milhares de milhões de câmaras da CCTV. A segurança tem um preço, vigilância total e a toda a hora, poucos caixotes do lixo e um pouco de paranóia que nunca magoou ninguém. Ao mínimo sinal pára tudo, investiga-se tudo o que há para investigar, as coisas são feitas na hora e resolve-se; as pessoas continuam como se nada fosse, o dia-a-dia é uma mistura de sandes meio estranhas que se podem encontrar a toda a hora e em qualquer lado com uma variada mistura de sumos, cafés e chás, com avisos de terrorismo, metros cheios até vir a cabeça de alguém presa nas portas, uma nação de iPod, iPad, iPhone, Blackberry e outros que tais, que violentamente se agita no metro e nas ruas. Esteja frio ou muito frio, cinzento ou completamente escuro, há sempre, mas absolutamente sempre, o que me deixa fascinado (isto sim) com a forma como as pessoas nos atendem e recebem em qualquer lado (sem saudades dos mal-encarados que há em Portugal), há sempre uma palavra simpática e acolhedora e um sorriso à partida.
O resto ainda é uma espécie de fascínio, semelhante aos primeiros dias que tive na faculdade quando percebi que aquilo estava cheio de mulheres, que agora vai assentando e já não é totalmente estranho haver um starbucks a cada canto e outras cadeiras famosas de comida e bebida. Mas se há coisa que sabe bem é conseguir sair de casa de manhã, acender um cigarro à porta e a primeira música que o meu iPod dá me dá vontade de saltar e andar com força, pelo meio de tanta gente que nem faz ideia quem é o Gonçalo, nem o Gonçalo faz ideia quem eles sejam, somos todos estranhos aqui, com excepção dos amigos que vamos encontrando para um café, das crianças que se riem para nós no metro sem saber quem somos ou os loucos, que nos abordam porque não sabem quem somos mas nos querem dizer alguma coisa. Somos estranhos mas todos juntos numa massa gigante, eu ainda a estranhar certas coisas, como alguém mo disse "quando fores Londrino" irei estar colado em muito do que agora falo e talvez estranhe.
Se a hora do post voltar a dizer 5 da tarde, fica o aviso que é meia-noite e meia, para ninguém dizer que vou dormir a meio da tarde.

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